Como o trabalho da mulher foi fundamental para a cidade de Juruaia



16 de abril de 2019
por: Marcela Leone

A cidade de Juruaia, em Minas Gerais, trata-de de uma das grandes expoentes da lingerie brasileira. Por lá, tudo começou nas plantações de café, onde a maioria da população trabalhava nas lavouras. A economia foi crescendo e em 1992 duas empresas deram início a produção de moda íntima no município.

Quando mais tarde encerraram as atividades, moradores da cidade enxergaram ali um negócio promissor e começaram a montar suas próprias empresas, pensando em trabalhar características como: qualidade, tendências alternativas e preço competitivo.

Assim, a cidade de cerca de 10 mil habitantes foi se transformando aos poucos e ganhando cada vez mais projeção em Minas Gerais e no restante do país. O desenvolvimento de Juruaia é um verdadeiro exemplo de empreendedorismo, já que nos primeiros 10 anos, a cidade conseguiu expandir sua economia, antes basicamente agropecuária, e se tornou um centro industrial de lingerie, graças aos próprios moradores.

Desfile durante a última edição da Felinju

A grande sacada da população foi entender que uma empresa sozinha no interior de Minas Gerais, longe do holofote das grandes capitais, não teria tanta projeção no cenário nacional. Se eles se juntassem e quanto mais empresas fossem criadas na região, a cidade se tornaria um polo industrial e foi isso o que aconteceu. A partir daí, as mulheres foram trocando as lavouras de café pelas máquinas de costura.

Foi em 1997 que foi fundada a ACIJU – Associação Comercial e Industrial de Juruaia – o que impulsionou a profissionalização das empresas ao oferecer cursos gratuitos para os funcionários dos associados com o apoio do SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.

A entidade começou com 35 indústrias de moda íntima. Hoje, após 22 anos, são cerca de 200 confecções na cidade, que juntas, vendem aproximadamente 1,5 milhão de peças por mês. Anualmente, são produzidas quase vinte milhões de unidades e o PIB cresce aproximadamente 30% ao ano. O polo da lingerie gera cerca de cinco mil empregos, ou seja, abrange quase 50% da população da cidade.

De acordo com a ACIJU, em decorrência da alta demanda, a produção ainda conta com a mão de obra das cidades vizinhas. Cerca de 500 trabalhadores de fora chegam diariamente para trabalhar nas indústrias locais.

As fábricas se constituem em um formato familiar. As mulheres lideram no comando das empresas, à frente de 95% das confecções.  A consolidação como um polo de lingerie trouxe uma verdadeira transformação social na cidade. Se antes, como contam os moradores, não se achava um administrador formado em Juruaia, uma geração de jovens que cresceu ali, em meio a ascensão empresarial, hoje se profissionaliza para dar continuidade à “capital da lingerie”. Muitos saem para estudar em universidades, mas voltam para aprimorar a produção e assumir os negócios da família.

Serviço

22ª Felinju
De 1 a 3 de maio de 2019, das 9h às 18h, e 4 de maio de 2019, das 8h às 18h
Local: Centro de Evento Expoju (Rua Suzana Gonçalves Salomão, 1.000 – Jd. Novo Horizonte – Juruaia (MG)
Desfiles: Todos os dias às 12h e às 16h. A entrada é gratuita

Fotos: divulgação 

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