Como surgiu a meia-calça?



10 de junho de 2019
por: Marcela Leone

A invenção do nylon foi o momento mais importante da química do século passado. Engenharia, universidade e indústria se uniram como nunca tinha acontecido para tornar realidade um sonho da inovação: fabricar uma seda artificial totalmente sintética.

Após séculos de tentativas, ninguém conseguia concorrer com a seda chinesa. O nylon teve um êxito comercial tão grande que literalmente transtornou o ocidente, especialmente os Estados Unidos nos anos 1940. Mas seu inventor, Wallace Carothers, não viveu para ver esse êxito. Teve uma carreira científica tão brilhante como fugaz, como de uma estrela do rock.

De Harvard para a Du Pont

Wallace Carothers com sua invenção

Em 1928, a empresa norte americana Du Pont resolveu investir em química pura, não pensava em lucro, só em pesquisar melhor a química orgânica, algo inédito na indústria dos EUA. Assim contratou Wallace Carothers, uma estrela em ascensão de Harvard.

O trabalho que a Du Pont designou a Carothers foi o de “criar uma molécula gigante com um peso de mais de 4.200 unidades de massa atômica”, um problema teórico sem imaginar qualquer ganho financeiro. Se tratava só de bater um recorde e pesquisar pelo bem da química.

Carothers conseguiu resolver o problema após dois anos de trabalho e foi além: criou uma molécula com 12.000 unidades de massa atômica.

Do neoprene ao nylon

Logo a seguir, Carothers conseguiu criar o neoprene e começou a desenvolver novas fibras. Mas uma depressão mental e uma vida extremamente agitada o tiraram das pesquisas por vários anos.

Só retornaria em 1934. Mas a depressão o perseguia. Vivia em momentos de intensa criatividade para, logo a seguir, ser internado em clínicas psiquiátricas. A empresa lhe fez outra instigação: criar uma fibra que substituísse a seda. Carothers retomou o estudo de alguns de seus superpolímeros e dessa retomada de pesquisas, surgiu o nylon em fevereiro de 1935.

Carothers recebeu o título de membro da Academia de Ciências, uma honra nunca recebida por um químico orgânico. Mas não soube superar a depressão. Suicidou bebendo cianureto com suco de limão.

Meias-calças

Em 1938, Du Pont patenteou o nylon e começou a utilizá-lo em escovas de dente. Mas o estouro viria em 1940, com as meias femininas. Elas eram baratas, finas e muito mais duradouras que as de seda. Venderam o absurdo de 4 milhões de pares por dia.

A Segunda Guerra Mundial fez parar a produção das meias de nylon. Durante os anos de guerra, houve um mercado negro das meias e, uma vez terminada a guerra, sua volta às lojas foi tumultuosa.

O nylon revolucionou a indústria têxtil, ao tornar acessível um artigo de luxo. Mais tarde, a Du Port liberou a patente da meia feminina.

Fotos: reprodução 

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